O Jornal Diário de Pernambuco publicou nesta quarta-feira (13/06) uma matéria da jornalista Juliana Colares, com imagens registradas pela fotógrafa Teresa Maia, sobre o Projeto de Lei do deputado estadual Sérgio Leite (PT/PE). Confira a reportagem na íntegra:
A professora Andrea Nogueira, 43, anos : A pressão no trabalho me deixou doente. Não conseguia nem dormir.Em oito anos trabalhando dentro de salas de aula, ela viu muita coisa. Vandalismo, tráfico de drogas… um assassinato. Em meados de 2010, um estudante foi morto dentro da escola. “Ficou impossível trabalhar lá. Eu não conseguia entrar. Tinha crise de pânico”. Por precaução, a professora que deu esse depoimento não será identificada. Seu caso é extremo. Mas faz parte de uma estatística que chama a atenção. Naquele ano, 1.870 professores da rede estadual de Pernambuco deixaram as salas de aula e foram readaptados de função, segundo a coordenação da perícia médica do estado. Quase a metade deles, por problemas emocionais.
Números que estão levando assembleias legislativas brasileiras a discutirem projetos de lei que objetivam a prevenção e o tratamento de alguns desses distúrbios e síndromes, como a de burnout, que está diretamente relacionada ao ambiente de trabalho. Burnout significa “se queimar”, em inglês. A síndrome foi descoberta pelo psicanalista alemão Herbert Freudenberger, em 1970.
No país, primeiro foi o Rio de Janeiro, depois Goiás, agora Pernambuco. Começou a tramitar na Assembleia Legislativa do estado o projeto de lei nº 958 / 2012, do deputado Sérgio Leite (PT), que pretende obrigar o governo a implantar um programa de prevenção, acompanhamento e tratamento aos professores da rede estadual com a síndrome de burnout. No Rio de Janeiro, proposta parecida, do deputado Alcides Rolim (PT), já foi aprovada.
Exaustão mental
Existem várias concepções para a síndrome de burnout, mas alguns elementos são comuns a todas elas – sintomas relacionados à exaustão mental e emocional, fadiga e depressão; predominância dos sintomas comportamentais e mentais em relação aos físicos; sintomas relacionados ao trabalho; e diminuição do desempenho no trabalho causada por atitudes e comportamentos negativos. E a síndrome costuma surgir em pessoas que não tinham qualquer distúrbio psicopatológico.
“A pressão no trabalho me deixou doente. O estresse não me deixava nem dormir”. O relato é da professora Andrea Nogueira, 43. Ela não foi diagnosticada com burnout, mas o estresse a levou a passar um mês afastada do trabalho. “Na síndrome de burnout, é o trabalho ou algo que está acontecendo no trabalho que adoece a pessoa. E não precisa ser um trabalho perigoso. Pode ser o chefe, um colega, o ambiente ou mesmo o excesso de atividades”, disse a psicóloga cognitivo comportamental Beneria Donato.
Em Pernambuco, caso a proposição também vire lei, o estado terá, gradualmente, que ampliar a avaliação médica (física, psíquica e emocional) dos educadores da rede estadual no momento do ingresso ou quando houver necessidade. Além disso, será necessário oferecer acompanhamento por equipe composta por psiquiatras e psicólogos para realizar o tratamento e minimizar as consequências. Campanhas sobre a síndrome e ações para promover a saúde emocional do educador também estão previstas. A proposta entrou em tramitação no último dia 6 e ainda precisa passar pelas comissões de Educação, Saúde, Administração, Justiça e Finanças, antes de ir a plenário.
Tratamento
Para a gerente geral de Desenvolvimento de Pessoas da Secretaria Estadual de Educação, Elizabeth Jales só nos últimos quatro anos, 18 Núcleos de Atenção aos Servidores foram instalados em todo o estado e que, caso vire lei, o programa previsto no projeto nº 958/ 2012 vai “complementar o trabalho que a gente desenvolve”. Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação, Heleno Araújo, diz que, no estado, “há uma tentativa de formar grupos multidisciplinares que atendam nas escolas. Na prática, não funciona. É preciso uma política mais consistente”, pontuou.
No site do Diário de Pernmabuco, o assunto também ganhou espaço:
Tratamento para professores com síndrome de burnout
Projeto de lei está em tramitação na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Na rede estadual, quase metade dos educadores afastados de sala de aula tinham problemas emocionais .
Primeiro o Rio de Janeiro, depois Goiás, agora Pernambuco. As estatísticas sobre problemas psicológicos enfrentados pelos professores de escolas públicas estão mobilizando as assembleias legislativas e obrigando os governos a cuidar da saúde mental dos seus educadores por força da lei. Seguindo o exemplo do deputado carioca Alcides Rolim (PT), o também petista Sérgio Leite apresentou o projeto de lei nº 958 / 2012. A proposição obriga o governo de Pernambuco a implementar um programa de prevenção e tratamento dos educadores diagnosticados com a síndrome de burnout.
Exaustão mental e emocional, fadiga, depressão, diminuição do desempenho no trabalho, edurecimento afetivo, falta de envolvimento pessoal notrabalho. E tudo isso sem que a pessoa tivesse qualquer distúrbio psicopatológico anterior. Mais: os sintomas estão sempre relacionados à atividade profissional. “O trabalho pode adoecer qualquer pessoa, seja por causa de um chefe exigente e agressivo, um colega, um ambiente estressante ou mesmo o excesso de trabalho. Não precisa ser um emprego perigoso”, disse a psicóloga cognitivo-comportamental Beneria Donato.
“O vandalismo, os ataques a professores, as violências entre alunos, a situação precária das escolas, a falta de valorização do profissional da educação, baixo salário e não reconhecimento resultam em condições degradantes, fazendo com que o educador entre para o caminho mais inconveniente do esgotamento emocional”, resume a justificativa do projeto de lei carioca.
Caso o projeto pernambucano vire lei, o governo estadual terá que, gradualmente, ampliar a avaliação médica dos educadores da rede estadual no momento do ingresso ou quando houver necessidade. Além disso, será necessário oferecer acompanhamento por equipe composta por psiquiatras e psicólogos. Campanhas sobre a síndrome e ações para promover a saúde emocional do educador também estão previstas. A proposta entrou em tramitação no último dia 6 e ainda precisa passar pelas comissões de Educação, Saúde, Administração, Justiça e Finanças, antes de ir a plenário. Quase metade dos professores da rede estadual afastados de sala de aula e realocados em outra função entre janeiro de 2010 e junho de 2012 apresentavam problemas emocionais.
Fonte: sergioleitept.com.br
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