Quando entramos no apartamento de Dona Dulce, no bloco J do Habitacional Via Mangue I, notamos logo o esmero com que ela mantém os 40m² do espaço. Na parede de alvenaria da sala, impecavelmente organizada, ela exibe retratos de infância do filho único, Marcos, que finalmente puderam ser pendurados numa parede firme. Ex-moradora das palafitas da comunidade da Beira-Rio, Dona Dulce sabe valorizar o teto que conquistou.
Casada com seu Antônio Leandro, ela enfrentou maus bocados no barraco em que moravam no Pina. “Um dia passei mal com uma confusão que teve na comunidade por conta de drogas e tive um princípio de AVC. Imagina lidar com isso no meio das palafitas. Hoje, meu apartamento é uma benção. Entro aqui e chego no meu cantinho da paz. Deixo toda a preocupação lá fora”.
Fruto da parceria da Prefeitura do Recife com o Governo Federal, o habitacional é parte de um total de 992 moradias financiadas pelo PAC com investimento de R$ 15,1 milhões. São 10 blocos com 320 apartamentos no total, todos com sistema de abastecimento de água, rede de esgoto sanitário, pavimentação e drenagem das vias. Foram inaugurados com a visita da presidenta Dilma e vão ganhando aos poucos a cara que os moradores querem dar, não apenas aos seus apartamentos, mas ao espaço como um todo.
O filho da Dona Dulce mesmo, Marcos, de 33 anos, mora com a esposa no andar embaixo do apartamento da mãe. “Ter casa quando chega do trabalho, ter esse conforto disponível, é ter uma estrutura de vida melhor. Dou muito valor ao que eu tenho hoje”, conta ele. Garçom, nas horas vagas, ele usa o espaço do habitacional para oferecer aulas de capoeira para crianças e adolescentes que moram no habitacional. Para isso, ele usa o espaço do centro comunitário, uma das áreas comuns do conjunto habitacional, que conta também com parque e quadra. “As crianças às vezes ficam sem ter o que fazer, e a capoeira acaba sendo uma oportunidade de preencher esse tempo. Tiro eles da rua, cobro disciplina, uso esse espaço que já temos”, comenta.
Arrumando as plantas que colocou na janela do seu novo lar, Dona Dulce faz questão de comentar a felicidade de ter, entre outras coisas, um banheiro. “Só quem morou em palafitas sabe a dificuldade de não ter banheiro. Hoje minha casa não tem nem comparação. Faço de tudo por ela, botei até cerâmica”, diz, rindo. Aos poucos, ela vai se acostumando e construindo uma nova rotina, com sala, quarto, cozinha, e um banheiro só dela.
Fonte: humbertoprefeito.com.br


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