sábado, 7 de julho de 2012

Humberto Costa em entrevista para Jornal do Commercio


Veja trechos da entrevista que o candidato à prefeitura de Recife, Humberto Costa, concedeu ao Jornal do Commercio.

CAMPANHA
Não vejo muitos problemas na nossa candidatura não, pelo contrário. Primeiro nas pesquisas estou na frente, todas as que foram feitas até agora desde que a minha candidatura foi colocada. A chapa que nós apresentamos, de todas as chapas que estão aí, sem dúvida é a chapa mais forte. Pela primeira vez eu vou ter entre seis e sete minutos de televisão para apresentar uma proposta, em nenhuma eleição eu tive mais de quatro minutos. Nós vamos ter quase 200 candidatos à Câmara Municipal na nossa chapa. O partido que mais de 50% da população, não é 50% de quem tem alguma preferência partidária, é da população. Mais de 50% da população tem uma preferência pelo PT. Um projeto de 12 anos que tem enormes conquistas ao longo desse tempo. Eu tenho o apoio dos três principais eleitores da cidade do Recife. Lula, Dilma e João Paulo, quer dizer, uma candidatura como essa pode ter problemas? Eu acho nós estamos bem, nós temos uma chance muito boa de ganhar a eleição, naturalmente que aconteceram dificuldades que nós vamos superar sem problema. Eu tenho certeza que vamos estar juntos.

PROJETO
O nosso projeto é um projeto de mudança contínua. Nós temos um projeto de reestruturação da cidade do Recife. Então, é um projeto que tem continuidade, mas, ao mesmo tempo, ele tem inovações, tem mudanças significativas e importantes. A nossa proposição é que o Recife siga em frente e seguir em frente é o que? Ao mesmo tempo em que a gente vai dar continuidade a tudo de bom que foi e está sendo feito, nós vamos repensar a cidade do futuro e ao mesmo tempo enfrentar com novas propostas os novos problemas e os problemas históricos que nós temos. Quer dizer, o nosso lema de campanha vai ser o que? Cuidar da cidade e cuidar das pessoas. Garantir que a cidade cresça, se desenvolva, melhore a infraestrutura e a gente continua a ter as perspectivas como referência das nossas políticas sociais.

FRENTE POPULAR
Vou dar um exemplo para você: Caruaru. O PDT partido que tem a prefeitura, o prefeito José Queiroz é candidato à reeleição, o vice-governador, que é do PDT, já declarou publicamente que não apoia essa candidatura. A filha dele, que é deputada e secretária, já declarou que não apoia essa candidatura. Outros partidos da Frente Popular também não querem apoiar essa candidatura e ninguém, por isso, ainda achou que o PDT teria perdido a condição de comandar o processo lá, inclusive nós do PT, que estamos apoiando lá a candidatura de José Queiroz. Por que é que o PDT lá, tendo uma divisão, tem condição de conduzir o processo e o PT aqui não tem? Quer dizer, esse argumento não é um argumento que justifiquei esse rompimento, que não foi o PT que fez. Na verdade o PT está na gênese da formação da Frente Popular nos moldes atuais. Foi em 2006 quando eu era candidato a governador quando manifestei o meu apoio à candidatura de Eduardo antes mesmo de discutir com o próprio PT que gerou a formação da Frente Popular nesses moldes. Quer dizer, Frente Popular sem o PT ou o PSB para mim não existe. Não fomos nós que rompemos. Nós continuamos a defender as mesmas ideias, os mesmos princípios. É preciso que as pessoas que defendem esse posicionamento digam o que foi que o PT rompeu com os princípios da Frente Popular, com as ideias da Frente Popular, com a maneira de fazer política da Frente Popular. Não fomos nós que tomamos essa decisão. Esses argumentos são muito mais justificativa para querer disputar uma hegemonia aqui na cidade do Recife. Nós continuamos do mesmo lado, nós estamos fazendo alianças com os partidos e com as figuras que compõem a Frente Popular, que fazem parte da base de governo de Dilma, de João da Costa, do próprio Eduardo. Eu não fui atrás de Jarbas Vasconcelos, que é o maior adversário político de Lula e de Dilma. Eu não fui me juntar com a direita para poder apresentar uma candidatura, então não somos nós que estamos nos afastando dos princípios da Frente Popular, entendeu?

APOIO POLÍTICO
Essa não é uma eleição que a gente vai travar um debate nacional. Nem eu defendo que seja uma disputa entre Lula e Eduardo, Dilma e Eduardo. Não. Os candidatos são esses que estão aí. As pessoas vão escolher entre eles. Os apoios são importantes por quê? Por exemplo, o presidente Lula representa tudo o que aconteceu aqui em Pernambuco, todo crescimento, desenvolvimento do Estado. O que fez Pernambuco crescer? Foram as ações em parceira do governo federal com o governo estadual. Pernambuco não teria crescido se não fosse Estaleiro, Refinaria, Hemobrás, Fiat, duplicação da BR-101, Transposição, Transnordestina, duplicação BR-408, duplicação da BR-104. Tantas coisas que foram feitas em parceira e o povo tem esse reconhecimento em relação ao presidente Lula. O povo sabe que um prefeito que seja aliado de Lula e de Dilma é bom para a cidade. Então os apoios tem muito mais esse peso. Mas o que as pessoas vão julgar é a história de cada um. Eu tenho uma história política, uma história administrativa.

ATUAÇÃO POLÍTICA
Sou uma pessoa que tenho uma formação técnica e ao mesmo tempo tenho uma vivência. Essas duas coisas são importantes. Fui vereador, deputado estadual, deputado federal, sou senador. Tudo pelo voto. Fui secretário municipal de Saúde, secretário das Cidades do próprio Eduardo Campos. Fui ministro da Saúde. Como parlamentar e como gestor eu tenho as portas abertas para buscar os recursos para a nossa cidade. Tenho acesso à presidente da República para brigar por isso. Tenho uma relação extremamente fácil com a bancada de Pernambuco seja do Senado, seja da Câmara dos Deputados. É isso que as pessoas vão comparar, vão comparar o projeto, o que é que cada um quer para essa cidade. O que é que cada um já fez por essa cidade? O Recife me conhece e o Recife conhece João Paulo, conhece João da Costa, conhece o PT, conhece como a gente trabalha e o que a gente faz.

PROPOSTAS
Primeiro nós estamos trabalhando num levantamento de tudo o que foi feito ao longo desses 12 anos, e não foram poucas coisas. Recife é uma cidade completamente diferente do que era antes de 2001. E, a partir desse levantamento, nós vamos também identificar quais são os desafios e a partir daí elaborar novas propostas. Bem, nós continuamos numa visão de que é fundamental cuidar da cidade, cuidar das pessoas. O que é cuidar da cidade? Preocupação com a infraestrutura urbana, viária, com as políticas de saneamento básico, com o desenvolvimento da cidade, o crescimento econômico, a geração de emprego e renda. E cuidar das pessoas também é gerar renda, gerar emprego, mas implementar políticas sociais de saúde e educação, de habitação.

RECIFE
As nossas prioridades serão aqueles problemas que a população já conhece. O grande problema, sem dúvida, é a mobilidade. A ideia é investir no transporte público e coletivo, implantar novos corredores para os ônibus. Com a inauguração da Via Mangue é possível concretizar uma ideia, que nós trabalhamos no tempo em que eu estava na Secretaria das Cidades, que é um grande corredor que vem de Olinda e chega até Piedade, envolvendo Domingos Ferreira, Setúbal, Capitão Temudo, Agamenon Magalhães. Você podendo dar uma velocidade e um ritmo a esses ônibus bem maior que o atual. Um transporte mais confortável para estimular as pessoas a deixarem o carro em casa e puderem usar o transporte público. A utilização de um transporte não chamaria alternativo, até porque nas condições de esgotamento da estrutura viária do Recife, passa a ser quase que uma coisa que vale a pena investir. Por exemplo, a bicicleta. Eu sou ciclista e a gente sabe como é difícil ser ciclista em Recife hoje, não é? Eu quero trazer aqui para a cidade esse programa que nasceu em Nova Iorque e hoje está sendo implantado em São Paulo, que é o de cidade amiga do ciclista, amiga da bicicleta. Onde você estimula com obras, construindo ciclovias, construindo ciclo faixas, educando os motoristas a respeitar o ciclista. Você promove um crescimento significativo de pessoa que usam a bicicleta não somente como lazer. Quero que o Recife passe a ter um papel ativo no projeto de navegabilidade do Capibaribe e do Beberibe. Eu comecei esse projeto quando eu estava lá na Secretaria das Cidades, Nós licitamos o projeto básico, acompanhamos a elaboração do projeto. Hoje é uma ação feita com dinheiro do governo federal, mas executada pelo governo do Estado e que eu quero que a prefeitura tenha uma participação mais ativa. Inclusive destinando recurso para isso. Esse é um meio de transporte que pode desafogar bastante as nossas ruas. O prefeito deve terminar a Via Mangue antes do final do mandato, mas tem outras obras, pontes, perimetrais que estão em andamento. Outra coisa importante é a questão da política de saúde, que ainda é uma demanda. Recife melhorou muito sua política de saúde de 2001 para cá. Nós vamos aumentar o orçamento da saúde. Quando nós assumimos, a Prefeitura Recife gastava 5% do orçamento com saúde, hoje gasta 15%, que é o que a lei prevê. Eu pretendo ampliar isso. Na educação aumentar as escolas em tempo integral e cumprir as metas de construção dos Cemeis, que são esses centros de educação infantil. Dar continuidade a essa política habitacional que realmente é um marco na cidade.

Fonte: Jornal do Commercio

Sem comentários:

Enviar um comentário